Até Rosa, Breve Maria
" - Então,
você não vem junto?
Um silêncio
triste e compadecido tomou o ambiente.
Ele viajará só.
Vai voar para longe e não sentirá tão cedo o inebriante perfume da rosa - que
não é vermelha.
O período mais
sabático de sua vida, que tende a rasgar o tempo como uma flecha, será também a
mais longa espera, como uma viagem em um trem de carga que desce a montanha
cuidadosamente para não derrubar a última colheita.
Lembrará de
Maria no banco do avião, da estação, da imigração, da solidão. Escreverá versos
desconexos, com palavras e sabores faltantes.
Contará sobre
aquele sorriso para os ouvidos que aparecerem ao longo do caminho. Ele
negou-lhe um último beijo. Não por represália, mas por fraqueza. Não
conseguiria olhar a imagem dela ficando cada vez menor, enquanto subiria a
escada rolante do aeroporto.
Leu naquele dia,
no livro da inspiradora escritora francesa que sempre adiou a leitura, que
esperar não é de todo ruim quando sabemos o que estamos esperando.
Ele sabe o que
está esperando.
E vai esperar".
[ Desconheço o
autor ]


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